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    A Garota do Bosque de Espinhos

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    MathM

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    A Garota do Bosque de Espinhos

    Mensagem por MathM em Dom Dez 08, 2013 12:54 am

    Espero que gostem.

    Mais uma vez lá está ela. Andando pelo bosque sozinha, pisando em cada folha seca e em cada graveto, quando eles se partem quebram o silêncio e as vezes um grito vindo dela pode ser ouvido quando pisa em um espinho, mas ela continua andando., sofrendo e as vezes chorando sangue até. Ela está pagando todas as suas dores, e por algum motivo ainda esboça um sorriso no rosto, não um sorriso forçado mas sim um sorriso puro de criança de quando ganha algum doce.
    Apesar de todos estenderem suas mãos oferecendo ajuda a ela para atravessar seu árduo caminho, ela nega a ajuda, até mesmo dos mais fortes. Ela sorri mas as vezes é impossível de conter a dor e a tristeza pode ser vista nitidamente, e quando isso acontece ela tenta se afastar, se desligar de tudo e correr cada vez mais para o meio do bosque e dos espinhos que continuam a machucando.
    Sempre tem aqueles que tentam segui-la para a ajudar mesmo a seu contra-gosto. Estes por sua vez não conseguem muito. Um deles se lançou ao bosque, ao ver que assim não conseguiria passou a gritar para dentro dele esperando a resposta, que felizmente chega, e assim eles  conversaram por muito tempo, vez e outra ela aprecia para ele e os dois se viam pessoalmente.
    Quando as coisas se tornavam mais negras e ela se enfiava no meio do bosque, sem poder entrar ou por medo ou por saber que se forçar não conseguira nada ele apenas dizia:
    - Estou aqui quando precisar.
    E assim se sentava na entrada do bosque, faça chuva ou faça sol dali ele não saía até ela voltar para conversar ou para vê-lo.
    Quando ela vinha voltava a vê-lo não estava totalmente bem, mas ele fazia de tudo para alegrá-la, e quando ela dormia tranquilamente em uma clareira sem espinhos e verde ele cuidava de si.
    Uma vez, ela permitiu que ele entrasse no bosque, ela o disse após os dois caminharem juntos:
    - Estou tendo pesadelos recentemente... será que você poderia me acordar quando eu tiver um?
    Pediu ela quando a noite chegou. Ele disse que sim, não dormiu naquela noite, quando o sono dela se agitava ele a acordava, foi assim duas vezes na noite e no dia seguinte o guerreiro não dormiu para dar atenção a sua dama calejada pela vida.
    No segundo dia o rapaz a disse que estava cansado e que precisaria dormir a noite, e no meio dela a garota deitou entre seus braços, e no calor de seus braços ela dormiu.
    Os dois ficaram juntos no bosque por mais alguns dias até ela fazer ele ir embora e voltarem a se falar entre o bosque novamente.
    Isso enfureceu o guerreiro, que por um bom tempo foi mantido ali fora, ele queria estar lá dentro com ela ou simplesmente a arrancar de lá e levá-la embora para sua  casa. Ele entrou lá mais vezes, bastantes até, porém sempre terminava do mesmo jeito. Após tudo isso pode perceber... enquanto ela não quiser sair não irá, enquanto ela não quiser enfrentar o bosque não sairá. Isso tudo que cresceu ali veio dela, a clareira também, e acredite ou não só cresceu e ficou melhor graças ao guerreiro. Que agora está sentado ao lado de fora gritando para ela ouvir:
    - Eu sempre estarei aqui pra você!
    Ele a avisa enquanto relutante em segui-lo a garota se machuca mais um pouco no bosque.


    M. M. Peters

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