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    New Hell - Capítulo 2

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    RicardoSodreh

    Mensagens : 2
    Data de inscrição : 25/12/2013

    New Hell - Capítulo 2

    Mensagem por RicardoSodreh em Qua Dez 25, 2013 2:23 pm

    Natalie não conseguia acreditar que tivera que pegar um táxi. Seus pais não se deram o trabalho de mandar o motorista da família, um boliviano que ela já não se lembrava do nome, buscá-la no aeroporto. E para completar, o motorista do táxi que ela havia pegado era desses alegres e de bem com a vida, que gosta de tagarelar com seus passageiros. Natalie colocou os fones no ouvido e aumentou o volume até o máximo. Toda vez que ela achava necessário, ela sorria ou acenava para o motorista com um ar de desdém.

    Ela olhou para o celular, a mensagem que enviara para os pais, continuava ignorada. Nenhum dos dois respondeu, nenhum dos dois ligou. Nenhum dos dois parecera se importar com o fato da única filha deles está vindo fazer uma visita. Depois de pouco mais de um ano sem se verem, ela esperava que fosse ter uma recepção melhor. Ela não sabia por que ainda se incomodava. Sempre fora desse jeito. Os pais davam dinheiro no lugar de atenção. E com o tempo ela se acostumou com isso.

    Connecticut parecia a mesma, ela olhava pela janela do carro, e constatou que o local parecia não ter mudado nada nesse um ano em que ela esteve longe. Ela não acreditava que estava realmente voltando, depois de ter prometido nunca mais pisar nesse lugar. Ali estava ela, a poucos minutos de New Heaven. Ela passou a mão pelo cabelo loiro escuro, um gesto que ela só fazia quando ficava nervosa ou ansiosa demais. Ou seja, ela fazia isso com frequência.

    Natalie recostou a cabeça no vidro e começou a observar as pessoas andando na rua, ela tinha essa mania de julgar as pessoas, desde o que vestiam até a sua maneira de andar. Ela adquirira esse vicio há muito tempo, e agora, ela estava ainda melhor nos seus julgamentos e análises. Fora essa mania que a fizera escolher a faculdade de Psicologia. Não porque ela pretendia trabalhar no ramo, aliás, era impossível visualizar Natalie sentada em uma poltrona dentro de um consultório ouvindo outro alguém reclamando da vida. Não, não. Ela já era rica, tinha noção de que os pais tinham dinheiro guardado mais que suficiente pra sustentar mais uma três gerações da família e isso mesmo se todas as ações parassem de vender e todas as empresas e indústrias associadas aos seus pais falissem. Ela estava fazendo a faculdade por hobby, provar pra todos de que ela é boa em alguma coisa.

    Ela era justamente o tipo de garota bonita e inteligente, e ela sabia disso. Talvez por isso todos sempre a chamassem de patricinha e arrogante. Mas ela não era arrogante, pelo menos não intencionalmente. Por ter nascido em berço de ouro, sempre a subestimaram e a trataram como superior não pelo que ela era, e sim, pelo que ela tinha. Ela detestava isso, detestava que alguém a chamasse de patricinha, rica, mimada e todas essas coisas que sempre a chamaram. Ninguém pode ser definido com uma mera expressão, nenhuma pessoa tem uma única característica. Seres humanos são muito mais complexos que isso. Era justamente por causa disso que ela não acreditava em bem e mal. Ninguém é 100% bom, ou 100% mal. Isso é impossível. E era isso que ela queria mostrar pras pessoas, que a cada dia que passa se tornam mais e mais hipócritas. Ela também detestava que a chamassem de hipócrita, ela podia ser chamada de muitas coisas, mas estava pra nascer alguém que fosse mais marcante e sincera como ela. E o excesso de sinceridade só contribuía pra que a chamassem de arrogante e prepotente. Mas bom, digamos que ela não era de dar muita atenção às críticas, independentes de serem construtivas ou não. Digamos que “críticas construtivas” era outra coisa na qual ela não acreditava.

    Natalie acabou não vendo o tempo passar, ela ainda se impressionava com a capacidade que tinha de se perder em devaneios. Ainda mais porque o motorista tinha paro de falar, provavelmente percebendo que a garota não o estava ouvindo. Ela não estava reconhecendo o caminho que o taxista estava fazendo, olhou a hora no celular, viu que já tinha se passado quase uma hora desde que saíram do aeroporto. Ela começou a estranhar, geralmente ela não era neurótica, mas cada vez mais, se sentia mais distante do seu lugar de destino. Ela não estava se quer reconhecendo aquele caminho, por um momento, ela pensou que o motorista tinha pego um atalho. Mas aquele caminho não parecia nem um pouco com um, parecia mais uma mudança de rota. Pela janela, ela tentou procurar um ponto de referência, alguma coisa que parecesse familiar pra ela, mas não tinha nada. Ela nunca fora ali antes, e isso que a estava assustando. Geralmente, ela não era paranoica, mas não estava com a sensação nada boa. Ela abriu a bolsa e, tentando não chamar a atenção do motorista, começou a tirar o spray de pimenta da bolsa. Nesse exato momento, o táxi parou em uma rua deserta, e que pelo que ela podia ver, sem saída. O motorista travou as portas. E virou pra trás.

    - Parece que a gasolina acabou. – Disse ele.

    - Sério mesmo?! Você trabalha com pouco combustível sempre ou só hoje? – retrucou ela em tom acusador.

    - Calma, eu tenho um galão que eu sempre uso em emergências no porta malas. Vou pegar e já seguimos viagem. – disse ele, gentilmente, ignorando o tom usado por ela.

    Ele destravou as portas do carro e saiu, Natalie estava achando toda a situação muito estranha. Ela olhou pelo vidro, e viu o motorista fazendo esforço pra tirar algo do porta malas. Ela podia não ser uma grande perita, mas duvidava que precisava de tanto esforço pra pegar um galão de gasolina. Ela finalmente conseguiu ver do que se tratava, não era um galão, o motorista estava segurando – com muito esforço por sinal – um saco preto com alguma coisa grande dentro. Não precisava de muito pra deduzir do que se tratava. Ela contou até três, respirou, mais de uma vez, então, tirou o celular do bolso e começou a discar o número da polícia. Ela tomou um susto quando o motorista bateu no vidro e acabou derrubando o celular debaixo do banco – o que já está se tornando uma mania entre os jovens de hoje em dia. O motorista fazia uns gestos exasperados pedindo pra que ela saísse do carro, mesmo com medo, Natalie saiu pela porta do outro lado. Ele não precisa saber que eu estou com medo, ela pensou.

    - Qual foi o problema agora?! – disse ela, tentando não demonstrar medo na voz. Ela foi esticando o pescoço pra trás, tentando ver o saco preto, mas parecia ter sumido.

    - O que foi, querida? – o motorista perguntou com um ar de cinismo – Qual foi o problema agora?! – e deu uma risada perturbadora.

    - Quanto eu te devo? Acho que vou andando daqui...

    - Bom, foram 150 dólares. – ele respondeu – Mas acho que vou te dar um desconto pelos problemas que eu causei. – ele deu a volta no carro, e começou a se aproximar – Pode me pagar 100 dólares e ficamos quites. – deu um sorriso amigável.

    - Minha bolsa e meu celular ficaram no carro, deixa eu pegar e já te pago. – ela abriu a porta de onde estava sentada.

    - Está certo. – ela ouviu ele dizer. Ela pegou a bolsa, e se abaixou pra poder procurar pelo celular que havia caído.

    - Você devia ter ido embora quando eu te dei a chance, sabia? – o motorista falou do lado de fora.

    - Como ass...? – ela começou a perguntar quando foi empurrada caindo totalmente dentro do carro. Ela se virou e viu que o motorista tinha baixado as calças e estava só de cueca samba-canção. Ele subiu em cima dela, e a obrigou a se debater. Natalie se debatia e gritava, mas parecia não haver ninguém naquele fim de mundo. Ele ficou de joelhos, segurando-a com as pernas e começou a desabotoar a camiseta. Ver aquele peito peludo e aquela barriga de cerveja, fez ela querer vomitar. Ela conseguiu se soltar por um momento e cravou as unhas no rosto dele, mas foi em vão. Ele deu um soco no rosto dela com as costas das mãos e se deitou sobre ela de novo. A ânsia de vômito voltou quando ela sentiu o hálito e o cheiro do homem, e ele ainda fazia questão de sussurrar coisas obscenas perto do seu rosto.

    Ela continuava se debatendo, mas era em vão. O homem era muito mais forte. Ela voltou a gritar e pedir ajuda, mas acabou recebendo outro soco no rosto. Ela tentava pensar com clareza mas não conseguia. Tudo que ela queria era tirar aquele homem nojento de cima dela. Ele começou a rasgar a blusa dela, e por mais que ela se debatesse, ele não parava.

    - Vamos, sua vadia. Você está gostando. – disse ele, dando um olhar psicótico pra ela. Tudo que ela sentiu naquela hora foi repulsa e nojo. E o resultado disso foi o cuspe que ela deu no rosto dele.

    - Você vai pagar por isso. – e começou a abrir o zíper do short jeans que ela estava usando.

    - Se você está esperando que eu peça pra parar, não vou pedir. Não é como se eu fosse uma dessas virgens que você está acostumado a estuprar. – ela tentou, só tentou, ser irônica. Mas o medo estava estampado em sua voz e em seu rosto. Ela estava na esperança de que o seu descaso distraísse o motorista, que agora, tinha virado um estuprador. Ele abaixou os shorts dela até quase o joelho. Agora, ela estava só de calcinha. Ele tirou a cueca e começou a puxar a calcinha dela. Então ela começou a rir.

    - Há quanto tempo você não depila isso? – disse entre risadas, então puxou o spray de pimenta, que tinha escorregado do bolso dela enquanto ele tirava o seu shorts, e mirou bem nos olhos dele. – Da próxima, tenha mais de 15 centímetros. - Então ela, subiu o joelho acertando o nas genitálias. – Mais uma vez, pra ter certeza de que machucou – e deu outra joelhada, dessa vez com mais força.

    Aproveitando que ele grunhia de dor, ela abriu a porta do outro lado do carro e caiu para fora. Ela se levantou e subiu os shorts, então saiu correndo aos tropeços. Só parou de correr, depois de ter certeza que já tinha feito o maior número de curvas que podia. Ela tomou fôlego e olhou em volta, não tinha ideia de onde estava. Achava no subúrbio, mas não tinha certeza. Ela deduzia que já era por volta das dez da noite. Perdida e sem celular. E pior, estava descabelada, suja e fedendo...Bom, pelo menos não ia chamar atenção, pensou ela, já que estava igual a qualquer morador da li.

    Ela decidiu que ia procurar um telefone público, e ligar para os pais ou para qualquer um que estivesse disposto a ir buscá-la. Ela retomou sua caminhada, procurando por uma cabine de telefone. Ela passou em frente a um bar, pensou em comprar alguma coisa pra beber, mas se deu conta de que tinha largado a bolsa com o dinheiro no táxi, junto com o celular. Ela ficou com medo do que aquele homem ia fazer com aquelas coisas, ela certamente deveria abrir um boletim de ocorrência, mas não podia. Não queria ver seu nome envolvido em mais um escândalo. Da última vez, não fora nada legal. Ela podia dizer que foi assaltada. Então cancelaria os cartões que estavam naquela bolsa e pediria uns novos, e depois, poderia usar os novos cartões pra comprar um celular novo. Sem grandes danos à sua imagem. Ela sorriu por ter pensado na história que usaria, sem ajuda do pai ou da mãe. Estou ficando igual a eles, pensou.

    - Hey, você está bem?! – ela estava tão distraída que não notou um rapaz se aproximando de moto – Você parece...machucada.

    - Estava melhor antes. – ela respondeu, cuidadosa. Não queria cometer o mesmo erro que cometera com o taxista. E continuou caminhando. O rapaz da moto a seguiu.

    - Sem querer ser chato, mas acho que você precisa de uma carona. – ele sugeriu.

    - Eu você de noção. – ela o cortou, e continuou caminhando, e mais uma vez ele a seguiu.

    - Eu vou ter que chamar a polícia? – Ela exasperou-se.

    - Não estou cometendo nenhum crime. – e começou a acelerar a moto.

    - Como se "Psicopata" não estivesse escrito na sua testa... – ela disse contrariada.

    - Vamos logo. É contra meus princípios largar uma garota tão bonita andando nesse bairro aqui sozinha. - ele falou, na tentativa de persuardi-la.

    - Essa frase só te deixou mais assustador, sabia? - ela disse, sem parar de andar, e se afastando da beirada da calçada.

    - Eu não sou nenhum esquisito, doente, pervertido. - ele disse, e apontou pro rosto - Olha pra mim, e me diz se tenho cara de psicopata?

    - É pra ser sincera? - ela retrucou ácida.

    - Certo, garota. Fica aí, então. - ele respondeu irritado - Tomara que chova.

    Quando ele começou a acelerar a moto, ela chamou:

    - Espera! Eu...Talvez eu precise de uma carona. - ela disse, detestando ter que pedir ajuda de um completo desconhecido - Mas acho que a gente devia se apresentar antes. – ela estendeu a mão – Natalie Turner. – Ele tirou o capacete e apertou a mão dela.

    - Isaac.

    Ela não deveria estar pensando nisso, mas não pôde deixar de perceber quão bonito ele era. Era moreno, tinha os olhos claros e um físico de dar inveja. Provavelmente era gay. Ela quase perguntou isso, mas decidiu só perguntar o sobrenome dele:

    - Isaac...? Tem um sobrenome?

    - Newton – ele respondeu dando risada.

    - Sério?! – ela perguntou incrédula.

    - Óbvio que não, né? Vamos logo antes que eu me arrependa.

    Ela subia na moto, não se lembrava da última vez que o fizera.

    - Se segura. – e foi o que ela fez, estava esperando ele dizer isso pra poder passar os braços em volta da cintura dele. Ela começou a lembrar da tentativa de estupro, o rosto daquele homem nojento ficava girando na sua frente, o cheiro dele parecia estar impregnado nela. Ela tentou afastar esses pensamentos.

    - Pra onde você vai mesmo? – ele perguntou.

    - West River...Faz parte do seu caminho?

    - Na verdade não.

    - Pra onde você estava indo? – ela perguntou, curiosa. Se tocando que ele oferecera uma carona sem saber pra onde ela ia.

    - Pra casa. – ele respondeu, no tom mais casual possível.

    - E onde fica sua casa?

    - No lado oposto.

    - Sério?! - ela perguntou confusa - Então porque me ofereceu uma carona?

    - Porque não é todo dia que vejo uma mulher tão bonita desacompanhada. - ele disse, mudando até o tom de voz para parecer galanteador.

    - Isso foi uma cantada? - ela perguntou sorrindo.

    - Talvez. – Depois disso, ambos ficaram em silêncio. Com poucos minutos eles chegaram em West River, Natalie se sentiu aliviada por estar em um ambiente familiar. Ela ficou espantada por se lembrar quem era o morador de cada mansão. Ela aprendera isso logo que começou a fazer psicologia, nossa mente só precisa de um pequeno sinal, pra despertar as mais variadas memórias e lembranças. Nosso cérebro é um grande banco de dados, ela se viu pensando. Ela finalmente reconheceu sua mansão.

    - É aqui que eu fico. – ela exclamou, um pouco mais alto que gostaria. Ela viu alguns vultos curiosos aparecendo nas janelas e nas sacadas. Imaginou o que estariam dizendo amanhã, "Natalie volta a casa dos Turners com um motoqueiro". Ela desceu da moto, e ele também. Não estava esperando que ele fizesse isso, mas até que ela gostou.

    - Não tenho ideia de como te agradecer, Isaac. – ela disse, sendo sincera. Ela não estava muito acostumada em agradecer as pessoas.

    - Na verdade, eu acho que você sabe. – dizendo isso, ele se aproximou, e ela recuou.

    - Talvez eu saiba. - Ele chegou mais perto, e dessa vez ela não recuou. Se outra pessoa se aproximasse, provavelmente ouviria o coração dela acelerado, batendo mais rápido que o normal.

    - Bom, eu estava falando de um “Obrigado”. – ele disse, sorrindo.

    - Eu também. - ela retrucou, mas em tom malicioso.

    - Mas poderia ser melhor. - ele afirmou.

    - Poderia, é? - ela perguntou, e dessa vez, ela se aproximou dele.

    - Definitivamente. - ele se aproxima, e a beija. Um beijo desses de filme. Eles param e se encaram por um minuto, ambos sorrindo.

    - Acho que você já pode ir. Já foi muito bem agradecido, não? - ela pede.

    - Convenhamos que você queria me beijar desde que me viu. – ele disse enquanto subia na moto.

    - Ah, cala a boca, convencido. – ela disse e se virou para subir as escadas. Antes de entrar, ela se virou pra ver ele indo embora. Há muito tempo não se sentia assim. Encantada por alguém.

    Ela deus graças por ter uma mãe precavida, foi fácil encontrar a chave de emergência escondida dentro de um dos vasos de plantas. Ela abriu a porta e entrou, estava tudo muito silencioso. Bem no fundo, ela ainda tinha esperanças de que talvez houvesse alguma recepção surpresa pra ela. Não poderia estar mais enganada. Não se deu nem o trabalho de acender as luzes, tudo parecia igual. Não tinha nada novo ou diferente, os mesmos quadros, as mesmas fotos, os mesmo móveis, a mesma disposição no ambiente.

    Começou a subir as escadas, que davam nos quartos. Queria tomar um banho e cair na cama. Amanhã quando acordassem quem sabe percebessem que a filha tinha chego em casa. Ela girou o pescoço e fez alguns movimentos com os ombros já se preparando pra relaxar. Seu quarto era no fim do corredor, então ela sempre passa pelo quarto dos pais pra chegar no dela. Quando passou pelo quarto dos pais, viu que a porta estava entreaberta, com uma luz fraca vindo lá de dentro, ouviu um gemidos e um barulho de cama. Não precisava ser um gênio pra deduzir o que estava acontecendo. Ela apressou o passo, ao mesmo tempo tentando ser mais silenciosa.

    Finalmente, ela chegou no seu quarto, dando um respiro de alívio, ela mal abriu a porta e já quis se jogar na cama. Isso claro, se não tivesse um monte de fotos em cima dela. Ela acendeu o abajur e olhou pras fotos. Todas tinham sido tiradas enquanto ela estava quase sendo estuprada, tinham dezenas delas e de todos os ângulos possíveis, nenhuma parecia ser igual a outra. E atrás de uma delas estava escrito:

    Eu já te pedi, pare de ser uma vadia.

      Data/hora atual: Dom Dez 16, 2018 1:30 pm