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    O culpado

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    Ana Pefer

    Mensagens : 2
    Data de inscrição : 06/01/2014

    O culpado

    Mensagem por Ana Pefer em Seg Jan 06, 2014 9:34 pm

    Ele estava na praia sem saber o por quê. Suas roupas estavam sujas de sangue, uma pequena faca estava em sua mão, nela pingava sangue. Passados alguns minutos, começou a chover, e Gabriel, continuava a observar as ondas que conforme chovia, as ondas aumentavam com cada gota, tornando-se violenta. A chuva limpava sua roupa, assim como a pequena faca. Ele se aproximou da água, pensava em ir buscar sua prancha e entrar no mar, mas era suicídio. Deixou cair à faca na orla do mar.


    Gabriel saiu da praia, viu seu skate no meio da rua, o pegou. Andava com o skate na rua vazia de domingo ao lado oposto do calçadão da praia, acabou por encontrar Manuela no chão dormindo na rua em plena aquela chuva, a garota parecia estar morta.


    Gabriel a sacudiu para que acordar-se, mas tudo que a garota disse “Mais cinco minutos Gabs”.


    – Como pode dormi na rua e nessa chuva? - gritou.


    Gabriel a mandou levantar. A garota se agarrou ao braço dele o arrastando à praia.


    – Olha lá, – apontou a garota – as ondas estão te chamando, assim como o corpo do Bruno esta te chamando ao lado.


    Gabriel olhou rapidamente a sua direita, viu Bruno caído, com um corte em seu pescoço. Gabriel deu alguns passos para trás, não conseguia acreditar que seu amigo estava morto, aos poucos a chuva a aumentava e cada raio que caia no mar, Gabriel sentia seu corpo se despedaçar, por fim, a chuva se tornou uma tempestade.


    A mão quente da garota apesar de estar molhada, aqueceu Gabriel ao tocar seu ombro, que estava paralisado diante do corpo do amigo.


    – Por que você o matou Gabriel?


    – O que esta dizendo? – chorava o garoto.


    – Vocês não eram amigos? – a garota observou Gabriel paralisado. – Eu te ajudo a se livrar do corpo Gabs. – ela suspirou – Por que Gabs? Por quê?


    ~*~


    – Gabriel, acorde!


    Ouvia sua mãe gritar da sala para que levantar-se. Ele foi ate a sala onde sua mãe estava sentada no sofá, com sua irmã com os olhos cheios de lágrimas apoiada na mãe.


    – Sente-se – ordenou a mulher com voz a tremula. O garoto sentou-se no sofá ao lado e curioso para saber o que sua mãe tinha a dizer tão melancólica como estava, viu a mulher suspirar fundo, buscando alguma força no fundo de sua alma.


    – Você terá que ser forte filho – a mãe pausou novamente, não queria machucar seu filho, não tinha como lhe dizer, ela apenas ligou a televisão e colocou no canal de noticias.


    “– encontrado pela manhã um garoto morto com um corte no pescoço com aproximadamente 16 anos na praia, não se sabe o que possa ter o matado…”

    Sua mãe desligou a televisão.

    – Gabriel… – a voz da mulher soou baixa e cheia de dor, ela não conseguia ver o garoto imóvel assustado.


    – É o Bruno. – disse sua irmã.


    ~*~


    – Gabs, por que esta na biblioteca? - perguntava Manuela entediada.


    – Silencio Manu, estamos na biblioteca. – dizia Gabriel.


    – Como você vai achar alguma pista para explicar a morte do Bruno, o culpado esta na biblioteca, mas não sabemos quem ele é, ou vamos perguntar um por um, “Hein, você matou Bruno Cavanaugh?”


    Gabriel olhou o rosto da garota irônico.


    – Acho que tem alguém nós seguindo Gabs.


    – O quê?


    Gabriel viu ao fim do vasto corredor da biblioteca, dois homens encapuzados ambos com marretas em mãos. O garoto se virou, e olhou Manuela sorridente, se aproximou de seu ouvido e sussurrou.


    – Foi você. – ela ria.


    Os homens encapuzados caminhavam em direção à eles. O garoto agarrou o pulso da garota e começou a correr. A biblioteca era imensa, extremamente grande e com muitos corredores e andares. Ele segurava o pulso dela com força, com tanta força que Manuela sumiu apenas deixando uma pequena fumaça e uma mensagem em sua mente “caminhos diferentes”.


    – Gabriel… – um pequeno sussurro de uma voz grossa, se aproximava.


    Não importa o quando corria a voz sempre parecia estar mais próxima, mas tanto esforço foi em vão. Um dos homens encapuzados, o encurralou em canto da biblioteca, tirou seu capuz. Era um homem de expressão firme e olhos negros.


    – Te peguei.


    O homem apertou as mãos firmes no cabo da marreta, e acertou Gabriel na cabeça.


    ~*~


    – Que entre o réu.


    Gabriel ainda estava assustado, sendo acusado de matar seu melhor amigo, mas logo ia ser absolvido, não havia provas, não havia um culpado, e muito menos uma testemunha, apenas Manuela, mas ela. Ninguém a chamava.


    O julgamento começou, todos da pequena cidade isolada de turistas, estavam presentes. O Juiz Carlos Jr., o único da cidade, não sabia o que falava, não concluía nada concreto, ele mesmo em seu discurso nunca feito na pequena cidade por um juiz em meio ao julgamento em frente às câmeras. Repetia, mentia, torcia, errava e tremia. Afirmava que o jovem Gabriel era inocente, depois o culpava, e por meias palavras, culpava um terceiro que acabara de dar-lhe o nome de Joaquim.


    – Chamem a testemunha – diz o Juiz com a voz firme e olhar reto, transmitindo um ar de superioridade, mas percebeu que todos o olhavam confuso e cochichavam baixo.


    Um guarda se aproximou do Juiz, e sussurrou ao homem.


    – Senhor, não temos testemunha.


    – Daremos uma pausa de uma hora. - batendo o martelo.


    ~*~


    – Aquele garoto esta falando sozinho. – comentou um homem ao bibliotecário no fim do corredor.


    – Deve estar lendo em voz alta, vamos pedir para que faça silencio.


    Os dois homens com livros de capa preto em mãos foram em direção ao garoto. Quando o garoto, Gabriel, os percebeu se aproximando saiu correndo.


    – Ele não é o filho da Sra. Cecília. – comentou o bibliotecário.


    Os dois homens foram atrás do garoto que corria pela biblioteca desesperadamente, os homens concluíram que seria melhor de apanhá-lo separadamente.


    – Vamos por caminhos diferentes, será melhor de pega-lo nessa biblioteca.


    Os dois homens se separaram, o bibliotecário foi ate o segundo andar, e quando o outro homem procurava o garoto no primeiro andar.


    O homem de expressão forte e olhos negros. Observou o garoto correndo entre os corredores cheios de livros, o chamou, mas ele continuou. O homem de expressão forte o encurralou. Gabriel estava suando e desesperado, olhava o homem como se estive preste a morrer.


    – Te peguei.


    ~*~


    Após uma hora da pausa do julgamento, resolveram interrogar Gabriel.


    – então esta dizendo que não o matou. Porem, seu skate foi encontrado ao lado do corpo. – dizia o velho advogado da cidade, Sr. Rodrigues.


    – Eu já disse, eu o encontrei na praia junto da Manuela, ai eu devo ter esquecido com ele.


    – Gabriel, quem é Manuela?


    – Ela.


    O garoto apontou ao canto esquerdo da sala, onde havia uma cadeira onde Manuela estava sentada, acenando.


    Todos olharam o canto da sala, realmente tinha uma cadeira, mas não havia ninguém sentado nela. Todos começaram a cochichar, uma enorme confusão se fez no tribunal, o velho advogado olhava o jovem intrigado.


    – Mas Gabriel, não tem ninguém na cadeira. Esta vazia.


    – O que? – disse Gabriel. – Ela esta ali, vocês não estão a vendo?


    – Meu rapaz, não a ninguém.

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